Sei que tudo deu errado no fim das contas
E agora, sei apontar todos os erros
Mais o que a gente faz com eles?
O que a gente faz com a gente?
Por mais que eu saiba que acabou
que eu saiba que podia ter dado certo, e não deu
ainda assim, gosto de enterrar meus mortos perto de mim
Sinto mais saudade quando você está perto..
dói demais te ver e não te querer mais
Sinto saudade não de você, mais sim do tempo em que eu
ainda sentia saudades suas
Usamos o tempo como se fosse nosso
Usamos, mais não pudemos guardar nada
Vivemos todo ele com uma sede tamanha
mais não podemos nem lembrar direito..
lembrar tudo certinho, sentir o que a gente sentia..
Alguns buracos aparecem e vão aumentando
Brincamos enquanto o tempo passava e agora não podemos segura-lo
nem mesmo num instante
Nosso amor, me fez te ver com certa amargura
Sinto, e senti cada segundo da nossa morte
E te ver agora me deixa desconcertado
Lembro de tudo na minha vida que já foi
De tudo o que eu perdi, de tudo o que eu esqueci
Olho pra você e me dói tanto, que chega a ser indecente
Eu tenho vontade de te comer e guardar você dentro de mim
Só pra não precisar te ver e você, não precisar ir embora
Não precisar decidir nada..
Tenho tanta, mais tanta saudade também da época
que minha mãe me colocava no colo
Dizia que tudo ia bem e assim
bem devagarzinho, as coisas iam ficar no lugar certo
Que eu não precisava chorar que o pé ia melhorar, o sangue ia secar.
Que ela ia sempre me proteger e sempre estaria ali..
Mais sei bem agora que no fim, sou eu que vou ter que fazer meus próprios curativos
Fazer o meu almoço
Sabe, gastei tudo o que eu tinha com você. mais pra onde foi tudo isso?
Não! eu não quero de volta. tudo o que eu te dei, fica com você
Este castigo é seu
Os meus, eu guardo aqui, embaixo da minha cama
No canto dos meus olhos, no meu jeito de rir, nos meus novos cabelos brancos
Olho no espelho e me lembro de você
Lembro que vou morrendo enquanto ainda vivo
e eu estou bem vivo!
Antes achava que a pessoa morria assim, de repente
sem mais
Mais te vi apodrecendo dentro de mim, devagarzinho
como, como eu tentei te empalhar!
Chorei muito quando via seus olhos desbotados..
Agora não choro mais, pois morro também.
e meus olhos também estão desbotados.
E por mais que eu saiba que não tem como existir mais nada,
e que me sinto livre
percebo que precisava das nossas mentiras pra sair do lugar
Percebi o que me fazia voar, era o medo
A vontade de escapar
Agora, vou me enterrar na minha liberdade e digo adeus as minhas asas
Pois agora tenho medo do que sei que está aqui
não há mais dúvidas, palavras ditas nas entrelinhas..
Fica quietinho e deita aqui do meu lado.
vem ser sozinho junto comigo e assim, a gente assiste o outro a morrer
Pra lembrar mais uma vez, o quando tudo isso dói
Mas é bom doer
Porque assim a gente sente o cheiro de sangue.. de vida!
Porque a única maneira de permanecer vivo por enquanto..
é morrendo!
São Paulo, 05 de maio de 2011
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